segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

A Química Tradicional e o surgimento da Química moderna


Em 1661, o filósofo inglês Robert Boyle (1627-1691) publicou o livro O químico cético, onde criticava as idéias de Aristóteles sobre a "teoria dos quatro elementos". Nestes trabalhos Boyle desenvolveu sua lei, que diz que à temperatura constante a pressão de um gás é inversamente proporcional ao volume por ele ocupado. Nesta mesma época ocorreu o descobrimento do oxigênio pelo padre anglicano Joseph Priestley , e importantes teorias, embora equivocados, foram formuladas a respeito da combustão e da corrosão (teoria do flogístico e da massa negativa). Tentava-se então buscar explicações mais lógicas para os fenômenos químicos. 

No século XVIII, a Química tornou-se realmente uma ciência. Vários gases foram descobertos e estudados. Lavoisier introduziu a balança em seus experimentos e conseguiu pesar os materiais envolvidos antes e depois de uma transformação química, notando então que a massa permanecia constante (lei da conservação da massa), também fez importantes descobertas sobre a combustão e sobre as propriedades do gás fundamental para que ela ocorra, o oxigênio. Podemos dizer que, nos séculos XVIII e XIX, com os trabalhos de muitos cientistas, surgiu a QUÍMICA MODERNA, que já proporcionava uma explicação lógica para a existência de muitos materiais diferentes e suas possíveis transformações químicas. É importante notar também que a partir dessa época se juntou o trabalho experimental feito em laboratório (trabalho prático) com a 12 correspondente busca das explicações da natureza da matéria e as razões de suas transformações químicas (trabalho teórico).

No século XIX ocorreu um desenvolvimento extraordinário na Química, tanto em sua parte prática como na parte teórica. Na prática, foram descobertos vários novos elementos químicos e produzidas muitas novas substâncias químicas. Na teoria, consolidaram-se as idéias de ÁTOMO, principalmente devido aos trabalhos de John Dalton (1766-1844), que propôs o primeiro modelo atômico segundo o qual o átomo seria continuo e maciço como uma bola de bilhar, esse modelo conseguia explicar várias propriedades dos gases. E a ideia de MOLÉCULA, principalmente por Amedeo Avogadro (1776-1856), que propôs que em dois volumes iguais de diferentes gases comportava a mesma quantidade de molécula. No século da morte de Avogadro, começou entre alguns cientistas a preocupação em organizar, por propriedades físicas e químicas, os elementos então descoberto, o êxito em tal tarefa foi devido a cientista russo Dimitri Ivanovitch Mendeleyev (1834-1907) que conseguiu ordenar os elementos químicos, de forma racional, em sua tabela periódica. É muito importante notar também que, em decorrência desse "casamento" da prática com a teoria, houve um grande desenvolvimento das técnicas de análise e síntese químicas. Havia, no entanto uma controvérsia na teoria de Dalton ela não explicava o fenômeno da eletricidade observada mesmo antes de cristo na Grécia antiga, outra propriedade que abalaria tal teoria seria descoberta quatro anos antes do inicio do século XX. Estudos do casal Curie e do físico francês Henri Becquerel com minérios de urânio descobriram a radioatividade. O Casal Curie explicou que tal fenômeno se dava a desintegração atômica, mas como se a teoria de Dalton defendia que o átomo era continuo e indivisível? Era necessária uma nova visão atômica!

Alquimia e Iatroquímica


Na Idade Média (aproximadamente entre os anos de 500 a 1500 da era cristã) se desenvolveu, entre árabes e europeus, a ALQUIMIA - é desse nome que surgiu o termo: Química - cujo sonho era descobrir o elixir da longa vida, que poderia tornar o homem imortal, e a pedra filosofal, que teria o poder de transformar metais baratos em ouro. Os alquimistas não conseguiram chegar às metas sonhadas, mas ao longo de suas pesquisas, acabaram produzindo novos materiais, como o álcool, o ácido sulfúrico, o ácido nítrico, etc., fabricando novos aparelhos, como o almofariz, o alambique, etc., e aperfeiçoando novas técnicas, como a destilação, a extração, etc. Apesar de ser uma " arte secreta", onde se misturavam idéias de magia, ciência e novas práticas químicas, a Alquimia contribuiu muito para o desenvolvimento da técnica, embora não tenha contribuído para o desenvolvimento das explicações dos fenômenos químicos.

No século XVI, na Europa, os pesquisadores abandonaram o "sonho" da Alquimia e partiram para caminhos mais realistas e úteis, principalmente a produção de medicamentos, principal objetivo da IATROQUÍMICA, conhecida como a Química Medica, onde se distinguiu o médico Paracelsius (1493-1541), que entre outras idéias defendia a que pequenas doses de veneno eram benéficas à saúde. Com isso, novas substâncias, aparelhagens e técnicas foram surgindo. Um fato importante dessa época foi o aparecimento das primeiras sociedades científicas, onde os cientistas se reuniam para trocar informações sobre suas descobertas.


Nascimento da Química



Sem dúvida o primeiro sinal do nascimento da química se deu com o domínio do fogo, com essa nova tecnologia o homem podia se aquecer e preparar carnes de animais mais higiênica e de mais fácil digestão. Com essa façanha surgia também uma significativa intrigação sobre as “forças” que regiam a natureza. Por, talvez, não terem respostas reconfortantes, os fenômenos naturais eram explicados por mistificações, magias e crenças, esse espírito de superstições acompanhou a ciência por um longo período. 


A química acompanhou o homem durante toda a sua existência. Por volta de 5000a.C. os homens fabricaram os primeiros objetos de ouro e prata, materiais que na natureza já se encontram na forma metálica. Por volta de 3000a.C. na Mesopotâmia (hoje, Iraque), obteve-se o bronze (liga metálica de cobre e estanho), com esse material se fabrica armas e utensílios domésticos mais leves e resistentes. O ferro foi obtido provavelmente pelos assírios, por volta de 1500a.C., e com ele novas armas e utensílios foram produzidos. Criavam-se assim as técnicas metalúrgicas. Por volta de 1400a.C., os egípcios já haviam atingido um alto grau de desenvolvimento, não só na Química metalúrgica, mas também no que poderíamos chamar de Química doméstica. Trabalhavam com o ferro, o ouro, a prata e outros metais; fabricavam o vidro; produziam o papiro para a escrita; sabiam curtir o couro e extrair corantes, medicamentos e perfumes das plantas; fabricavam bebidas fermentadas semelhantes à cerveja, etc. Não podemos esquecer que, na conservação de suas múmias, os egípcios atingiram níveis de perfeição que são admirados até hoje. Muitos desses conhecimentos egípcios passaram para outros povos do Oriente Médio (fenícios, hebreus, etc.) e,

posteriormente, para os gregos e os romanos. É  interessante também salientar que, na mesma época e muito longe dessas civilizações — na China —, também eram desenvolvidas técnicas apuradas, como as de produção do vidro e da porcelana. É importante observar que, apesar de por volta de 400a.C. já se conhecerem muitos produtos químicos (óxidos de ferro, de cobre e de zinco, sulfatos de ferro e de cobre, etc.) e muitas técnicas de transformação química (fusão, dissolução, filtração, etc., por aquecimento com fogo direto, em banho-maria, etc.), não existiam explicações para esses fenômenos. 


Foram os filósofos gregos da Antiguidade os primeiros que se preocuparam com a explicação dos 10 fenômenos. Os povos antigos se preocupavam mais com as práticas de produção das coisas do que com a teoria ou com explicação dos porquês de as coisas acontecerem. Foram os filósofos gregos da Antiguidade os primeiros que se preocuparam com a explicação dos fenômenos da natureza. Assim, por exemplo, Leucipo de Mileto (nascimento: cerca de 500 a.C.) e seu discípulo Demócrito de Abdera (460-370 a.C.) afirmavam que todas as coisas deste mundo (um grão de areia, uma gota de água, etc.) poderiam ser divididas em partículas cada vez menores, até se chegar a uma partícula mínima que não poderia mais ser dividida e que seria denominada átomo (do grego: a, "não", e tomos, "partes"); essa ideia, que não se firmou na época e só veio a renascer na Química, muitos séculos depois. Isso ocorreu em grande parte devido a influencia do grande filósofo grego da Antiguidade Aristóteles (384-322a.C.), que acreditava, ao contrário de Demócrito, que a matéria poderia ser dividida infinitamente e que tudo o que existia no Universo era formado pela reunião, em quantidades variáveis, de quatro elementos: terra, água, fogo e ar. Considerando que, durante séculos, eram trabalhos completamente distintos e separados: o dos artesãos, que faziam as coisas, e o dos pensadores, que tentavam explicar os fenômenos, é fácil concluir por que a Ciência, e em particular a Química, levou tanto tempo para progredir. As idéias de Aristóteles permaneceram praticamente inalteradas, orientando a Ciência, por quase 2000 anos.